CHAMADA DE ARTIGOS
 

NOTA DE ESCLARECIMENTO
 
Em virtude do expressivo e qualificado número de artigos recebido para a chamada do número 22 da revista Boitatá (julho/dezembro de 2016), dedicado a “Poéticas orais, populares, indígenas, periféricas e de gênero: relações com as perspectivas pós e decoloniais”, os editores optaram por realizar uma divisão nos textos. O volume 22, já disponível,  teve como foco do Dossiê as poéticas indígenas, e o número 23, de 2017/1, tem como tema do Dossiê as poéticas africanas e negras. Em breve divulgaremos nova chamada, para o número 2017/2, a ser organizado pela professora Berenice Granados Vasquez, da Universidade Nacional Autônoma do México. Os Editores.

Número 22

Tema: Poéticas orais, populares, indígenas, periféricas e de gênero: relações com as perspectivas pós e decoloniais.

Ementa: 

As fronteiras da alteridade são [...] mutáveis, enganadoras, por vezes alucinantes, de modo que apenas a força reveladora do ethos poético pode mostrar os valores das culturas dos povos nativos com toda sua força de sentido e significação no intrincado universo de símbolos, retóricas ou estéticas expressivas que essas culturas opõem como campo de resistência, no mais das vezes opacas, tornando inacessíveis seus enigmas, ou ao menos de precário entendimento por parte do investigador culto, imbuído de seus próprios valores, métodos e estratégias, que nada tem a ver com o universo original dos povos ameríndios.

 Essas palavras fazem parte da apresentação que, em 1993, o escritor paraguaio Augusto Roa Bastos produziu para a obra La belleza de los otros, de Tício Escobar, crítico de arte com larga experiência etnográfica.

Conforme Roa Bastos, a principal dificuldade enfrentada pelo estudioso culto (leia-se Ocidental, herdeiro da tradição cartesiana e iluminista e também da moral judaico-cristã), concentra-se na impossibilidade de compreender e traduzir efetivamente os signos e as culturas de povos que lhe parecem tão radicalmente diferentes. O cerne dessa opacidade encontra-se, sobretudo, “nos valores, métodos e estratégias” que não são permeáveis ao universo que este se propõe a interpretar. Essa problemática tem sido o centro de áreas recentes na crítica, como os estudos pós-coloniais ou os chamados estudos culturais, através de intelectuais como Edward Said, Stuart Hall, Kwame Appiah, Boaventura de Sousa Santos. Tendo como marco o fim dos sistemas coloniais herdados do imperialismo europeu, esses campos indicam o surgimento de contradiscursos que procuram refazer identidades e subjetividades arruinadas pela violência colonial. Se o colonialismo foi marcado pela posse de territórios e pela imposição de um “modelo de civilização universal” (que destruiu sistemas linguísticos, religiosos e simbólicos complexos e variados), sua continuidade na contemporaneidade sustenta-se nos fluxos globais de capitais, conteúdos e informações, responsáveis por novos mecanismos de controle que reforçam desigualdades econômicas e sociais ao mesmo tempo em que operam em contextos ditos multiculturais. Um ramo importante de pensadores latino-americanos (entre eles Walter Mignolo, Aníbal Quijano, Catherine Walsh) tem se dedicado desde meados de 1990 a nomear esses mecanismos e sugerem o termo decolonialidade para indicar como aparatos simbólicos e epistemológicos tem constituído as bases de novas formas de subjugação. Se antes as metrópoles enviavam exércitos, colonos e algumas instituições (como escolas e igrejas) para ocuparem corpos e espíritos locais,  as formas de domínio sofisticaram-se na validação de certos conhecimentos e também das formas de registrar e interpretar esses conhecimentos. Como efeito dessa “colonialidade do saber”, determinam-se espaços e povos que concentram as línguas (europeias), as instituições (museus, universidades, bibliotecas, ciências, disciplinas) e as linguagens (escrita, tecnologias) considerados “de valor”, condições para exercer a “vontade de poder”, para usar o termo de Foucault. Nas ex-colônias, resistem línguas ditas minoritárias ou em extinção; sistemas empíricos e tradicionais convivem e conflitam com os produtos e fazeres tecnológicos; o corpo, os mitos e os ritos de povos nativos seguem inspirando práticas pouco compatíveis com a tradição escritocêntrica e logocêntrica.

As poéticas orais e populares, que tem subsidiado e inspirado tantos estudos no GT de Literatura Oral e Popular e na Revista Boitatá, podem, de certo modo, ser aproximadas das produções provenientes de lugares e autorias igualmente subalternizadas pela violência epistêmica decolonial, como as dos autores da literatura periférica, das criações multimodais indígenas e das perspectivas de gênero e etnia ex-cêntricas. Nesse sentido, propomos para este Dossiê da revista estudos com foco nas teorias ou nas críticas literária e cultural, em torno de temas, autores ou obras que apresentem os trânsitos e os efeitos decorrentes da pós-colonialidade e da decolonialidade na produção, criação, recepção e circulação desses lugares e agentes de um ethos poético resistente.

 

Organizadoras:

Dra. Ana Lúcia Liberato Tettamanzy (UFRGS) 
Dra. Vera Lúcia Lúcia C. Medeiros (Unipampa)

Editoria:

Drª Ana Lúcia Liberato Tettamanzy (UFRGS)
Dr Frederico Fernandes (UEL)

Editoria Técnica:

Doutoranda Cristina Mielczarski dos Santos (UFRGS)
Doutoranda Laura Regina dos Santos Dela Valle (UFRGS)

 

- Também estará aberta uma SEÇÃO LIVRE (respeitada a especificidade da revista: discussões sobre poéticas orais e literatura popular).

Prazo de envio: 20 de outubro de 2016

 

CONDIÇÕES PARA SUBMISSÃO

Ao submeter seu texto, o(a) autor(a) deve estar ciente de sua conformidade com as seguintes condições:

 
NORMAS

Boitatá – Revista do GT de Literatura Oral e Popular da ANPOLL aceita o envio de artigos, resenhas e entrevistas relacionados aos estudos de oralidade e culturas populares, oriundos de abordagens culturais ou multiculturais e que partam de diferentes campos de estudos, como Literatura, Antropologia, Ciências Sociais, Psicologia, História e Linguística.

 

Informações gerais, baseadas nas normas da ABNT: 

Formatação: os trabalhos devem ter no mínimo 4 mil palavras e no máximo 6 mil palavras e devem ser escritos com formato .doc, folha tamanho A4, margens superior e esquerda de 3 cm e inferior e direita de 2 cm, fonte Times New Roman, espaçamento 1,5 cm, com entrada de parágrafo de 1,25 cm e sem numeração de páginas.

Título: no alto da primeira página, centralizado, grafado em maiúsculas, corpo 12, negrito.

Identificação do autor(a): o nome do autor deve aparecer dois espaços simples abaixo do título, justificados à direita, corpo 12, sem negrito, com maiúsculas apenas para iniciais, seguido(s) de nota de rodapé marcada por asterisco, indicando vínculo e instituição, maior titulação, instituição em que foi obtido o maior título, agência de fomento e número do processo (quando houver) e e-mail (p. ex., professor na Universidade Estadual de Londrina, doutor pela Universidade de São Paulo, bolsista de produtividade do CNPq professor@uel.br). Quando houver mais de um autor, os nomes devem ser dispostos um abaixo do outro, respeitando o número de no máximo três autores.

Resumo: dois espaços simples abaixo do(s) nome(s) do(s) autor(es), justificado à esquerda, precedido da palavra RESUMO com dois pontos, em negrito, itálico, maiúsculas e corpo 10. O texto deve ter no máximo 200 palavras e no mínimo 150, grafado em minúsculas e corpo 10, sem entrada de parágrafo e ser seguido a um espaço simples das palavras-chave.

Palavras-chave: precedidas da expressão palavras-chave com dois pontos, em negrito, minúsculas e corpo 10, devem ser até cinco palavras, separadas por ponto e sem entrada de parágrafo, minúsculas e corpo 10, sendo seguidas a um espaço simples da versão do resumo em inglês (Abstract), espanhol (Resumen) ou francês (Résumé).

Abstract: é obrigatória a inserção do resumo em inglês após as palavras-chave, justificado à esquerda, precedido da palavra ABSTRACT com dois pontos, em negrito, maiúsculas e corpo 10. O texto deve ter estar grafado em  minúsculas e corpo 10, sem entrada de parágrafo e ser seguido a um espaço simples das palavras-chave (keywords).

Keywords: é obrigatória a inserção das palavras-chave em inglês após o abstract, precedidas da expressão Keywords com dois pontos, em negrito, minúscula e corpo 10, devem ser até cinco, separadas por ponto, com ponto final e sem entrada de parágrafo, minúsculas e corpo 10, sendo seguidas a um espaço simples do resumo em outra língua estrangeira, da epígrafe ou do início do trabalho.

Résumé/Resumen: é opcional a inserção de resumo em qualquer outra língua, justificado à esquerda, precedido da palavra RÉSUMÉ/RESUMEN com dois pontos, em negrito, maiúsculas e corpo 10. O texto deve ter estar com letra  minúsculas e corpo 10, sem entrada de parágrafo e ser seguido a um espaço simples das palavras-chave.

Mots-clés/Palabras-clave: é opcional a inserção de palavras-chave em qualquer outra língua, precedidas da expressão Mots-clés/Palabras-clave:  com dois pontos, em negrito, minúscula e corpo 10, devem ser até cinco, separadas por ponto, com ponto final e sem entrada de parágrafo, minúsculas e corpo 10, sendo seguidas a um espaço simples da epígrafe ou do início do trabalho.

Títulos de seção: precedidos de dois espaços simples e seguidos de um espaço simples, em negrito, numerados (sem ponto) e sem entrada de parágrafo.

Títulos de subseção: precedidos de dois espaços simples e seguidos de um espaço simples, em itálico, com entrada de parágrafo e numerados.

Citações:

As citações com menos de três linhas devem ser incorporadas ao texto entre aspas duplas e seguidas do nome do autor, ano da obra e página entre parênteses: (ZUMTHOR, 1993, p. 74).

Dois autores:

As citações com mais de três linhas devem ser apresentadas com margem própria de 4 cm, corpo 10, sem aspas, separadas do texto antecedente e precedente por um espaço e seguidas das referências, como, por exemplo: (FERNANDES, 2003, p. 19).

Se o nome do autor estiver citado dentro do texto seguido de uma citação direta de trecho do texto, indica-se data e página entre parênteses. Ex: Zumthor (2005, p. 94-95) “além dos seus limites acústicos naturais, acresce sua espacialidade [...] toda a história dos festivais”.

Se o nome do autor estiver citado dentro do texto sem citação direta de trecho do texto, indica-se apenas a data, entre parênteses. Ex: Romero (2000) sublinha que...

Nunca usar idem ou idemibidem.

Notas: exclusivamente explicativas, em rodapé, numeradas sequencialmente, apresentadas em espaçamento simples, corpo 10, justificado à esquerda.

Imagens: fotos, desenhos, enfim qualquer tipo de arte que conste no artigo deverá ter fonte e permissão para publicação.

- Devem estar incorporadas no texto, com indicação da fonte em corpo 10, precedida da palavra "Fonte" (apenas a inicial em maiúscula) e de dois pontos, no canto superior direito da figura: (Fonte: SILVA, 1987, p. 73).

- A legenda deve estar abaixo da figura, sem espaçamento, precedida da palavra "Figura" (apenas a inicial em maiúscula), seguida de numeração consecutiva com algarismos arábicos, sucedida de travessão e da respectiva legenda: Figura 2 - Texto.

- A revista não se responsabiliza pela solicitação ou pelo pagamento de direitos autorais referentes às imagens incorporadas ao artigo. A obtenção de autorização para a publicação de imagens, de autoria do próprio autor do artigo ou de terceiros, é de responsabilidade do autor. Por essa razão, para todos os artigos que contenham imagens, deve ser encaminhada cópia por e-mail da declaração, assinada pelo autor do artigo, de que o uso da imagem foi autorizado, sem qualquer ônus para a Revista Boitatá.

- REFERÊNCIAS: deve ser digitada em corpo 12, maiúsculas, a dois espaços simples abaixo da última linha textual, seguida de um espaço antes das referências citadas no trabalho, as quais devem ser ordenadas alfabeticamente, em espaço simples, justificado à margem esquerda. A norma ABNT adotada na revista para destaque de títulos de obras nas referências é negrito, conforme exemplos abaixo.

JAKOBSON, Roman. Linguística e Comunicação. Tradução de Izidoro Blikstein e José Paulo Paes. São Paulo: Cultrix, 2007.

Livro de um autor: ZUMTHOR, Paul. Escritura e nomadismo. Tradução de Jerusa Pires Ferreira e Sonia Queiroz. São Paulo: Ateliê, 2005.

Livro de mais de um autor: ORLANDI, Eni Puccinelli; GUIMARÃES. Eduardo; TARALLO, Fernando. Vozes e contrastesdiscurso na cidade e no campo. São Paulo: Cortez, 1989.

Capítulo de livro de mesmo autor: CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. In: _____. Textos de intervenção. Seleção, apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades/Ed 34, 2002. p. 77-92.

Capítulo de livro de autor diferente: SCHWARTZMAN, Simon. Como a universidade está se pensando? In: PEREIRA, Antonio Gomes (Org.). Para Onde vai a universidade brasileira? Fortaleza: UFC, 1983.  p. 29- 45.

Periódico (coleção): INFORMAÇÃO E CULTURA. Porto Alegre: Diretório Estadual de Cultura, 1976-1989. GLOBO RURAL. São Paulo: Rio Gráfica, 1985-.

Artigo de periódico (especializado ou não – jornais diários, revistas semanais, etc.): MATOS, Cláudia Neiva de. Escritas Indígenas: uma experiência poética-pedagógica. Revista Boitatá. Revista do GT de Literatura Oral e Popular da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Letras e Linguística (ANPOLL).  Londrina, v.2,  n. 12, p. 29-51, 2011.

Trabalho acadêmico: ANGORAN, Anasthasie Adjoua. Gonçalves de Magalhães, Cruz e Sousa e Solano Trindade: três manifestações da presença francesa na literatura brasileira; um olhar africano2004. 381f. Tese (Doutorado em Letras) − Instituto de Letras, UFRGS, Porto Alegre, RS.

Anais, congressos, seminários, encontros: SEMINÁRIO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO, 3, 1993, Brasília. Anais. Brasília: MEC, 1994.

Site: TETTAMANZY, Ana Lúcia Liberato. Ficções de si: auto-etnografia em Ruy Duarte de Carvalho. Mulemba, Rio de Janeiro: UFRJ, v.1, n.7, pp.4519, jul./dez. 2012. Disponível em: <http://setorlitafrica.letras.ufrj.br/mulemba/artigo.php?art=artigo_7_1.php>.  Acesso em: 21 dez. 2015.

- Filme: VINGANÇA. Tony Scott (Dir.). Estados Unidos: Hunt Lowry, Paris Filmes, 1989. 1 filme (124 min), son., color., 35mm. Título original: Revenge. Legendas em português.

- CD: GLOBO COLLECTION JAZZ. Rio de Janeiro: Globo, 1995. 1 CD com 13 faixas (60min 18seg).

- CD-ROM: ALMANAQUE Abril: sua fonte de pesquisa. São Paulo: Abril, 1998. 1 CD-ROM.

- No caso de mais de um material com o mesmo autor, a partir do segundo material, o nome do autor é substituído por uma linha contínua de seis toques seguida de ponto final, conforme exemplo abaixo:

ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 19. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

______. Primeiras estórias. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

- Referências de mesmo autor e mesmo ano devem ser especificadas através de letras minúsculas, em ordem alfabética, seguindo-se ao ano da publicação, tanto nas referências como no corpo do artigo, conforme o exemplo abaixo:

PERRONE-MOISÉS, Leyla. Vinte luas: viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil 1503-1505. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1996a.

______. Da cólera ao silêncio. Cadernos de literatura brasileira, São Paulo, n. 2, p. 61-77, set. 1996b.

Importante: Não esquecer de inserir nas referências os nomes dos tradutores e somente colocar referências efetivamente citadas no corpo do artigo.

**A DECISÃO FINAL SOBRE A PUBLICAÇÃO DO ARTIGO CABERÁ AO COMITÊ EDITORIAL E AO(S) ORGANIZADOR(ES) DO NÚMERO, COM BASE NOS PARECERES FORMULADOS PELOS COLABORADORES.  No caso de o número de textos aprovados ser superior ao limite máximo de 20, será feita uma classificação dos textos pela Comissão Editorial, sendo publicados os 20 mais qualificados.

Outras informações, devem ser observadas:


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(*) Campos obrigatórios