Número 21

Núcleos canônicos e periféricos em diálogo com os novos media.

A formação das narrativas se dá a partir de núcleos canônicos e/ ou periféricos e as novas tecnologias têm sido, cada vez mais, o espaço no qual as mais diversas vozes encenam suas práticas discursivas, entretanto, a legitimidade destas nem sempre é aceita por quem dita os cânones literários. Por isso, esse número propõe alguns questionamentos, tais como: o que define uma voz como tradicional? Que elementos caracterizam determinada narrativa como periférica? Quais as normas, presentes no ambiente digital, que determinam que uma história é ou não canonicamente aceita?
Nossa ideia, a partir destes questionamentos, é acolher trabalhos que contemplem tanto reflexões sobre a forma como as narrativas tradicionais são atualizadas, quanto sobre como os cantadores, repentistas, moradores das periferias, dentre outros, mantêm/divulgam/legitimam suas memórias, narrativas, criações e vozes a partir dos aparatos disponíveis na contemporaneidade (internet, vídeo, festivais, poesias, cantos etc.). 

Organizadoras:

Drª Andrea Betânia da Silva (Campus I / UNEB)
Drª Mauren Pavão Przybylski ( PNPD / CAPES – CAMPUS II/ UNEB) 

Prazo de envio: 20 de março de 2016. 

Editoria:

Drª Ana Lúcia Liberato Tettamanzy (UFRGS)
Drª Vera Cardoso Medeiros (UNIPAMPA)
Dr Frederico Fernandes (UEL)

Editoria Técnica:

Doutoranda Cristina Mielczarski dos Santos (UFRGS)
Mestre Laura Regina dos Santos Dela Valle (UFRGS)

 

Número 22

Tema: Poéticas orais, populares, indígenas, periféricas e de gênero: relações com as perspectivas pós e decoloniais.

Ementa: 

As fronteiras da alteridade são [...] mutáveis, enganadoras, por vezes alucinantes, de modo que apenas a força reveladora do ethos poético pode mostrar os valores das culturas dos povos nativos com toda sua força de sentido e significação no intrincado universo de símbolos, retóricas ou estéticas expressivas que essas culturas opõem como campo de resistência, no mais das vezes opacas, tornando inacessíveis seus enigmas, ou ao menos de precário entendimento por parte do investigador culto, imbuído de seus próprios valores, métodos e estratégias, que nada tem a ver com o universo original dos povos ameríndios.

 Essas palavras fazem parte da apresentação que, em 1993, o escritor paraguaio Augusto Roa Bastos produziu para a obra La belleza de los otros, de Tício Escobar, crítico de arte com larga experiência etnográfica.

Conforme Roa Bastos, a principal dificuldade enfrentada pelo estudioso culto (leia-se Ocidental, herdeiro da tradição cartesiana e iluminista e também da moral judaico-cristã), concentra-se na impossibilidade de compreender e traduzir efetivamente os signos e as culturas de povos que lhe parecem tão radicalmente diferentes. O cerne dessa opacidade encontra-se, sobretudo, “nos valores, métodos e estratégias” que não são permeáveis ao universo que este se propõe a interpretar. Essa problemática tem sido o centro de áreas recentes na crítica, como os estudos pós-coloniais ou os chamados estudos culturais, através de intelectuais como Edward Said, Stuart Hall, Kwame Appiah, Boaventura de Sousa Santos. Tendo como marco o fim dos sistemas coloniais herdados do imperialismo europeu, esses campos indicam o surgimento de contradiscursos que procuram refazer identidades e subjetividades arruinadas pela violência colonial. Se o colonialismo foi marcado pela posse de territórios e pela imposição de um “modelo de civilização universal” (que destruiu sistemas linguísticos, religiosos e simbólicos complexos e variados), sua continuidade na contemporaneidade sustenta-se nos fluxos globais de capitais, conteúdos e informações, responsáveis por novos mecanismos de controle que reforçam desigualdades econômicas e sociais ao mesmo tempo em que operam em contextos ditos multiculturais. Um ramo importante de pensadores latino-americanos (entre eles Walter Mignolo, Aníbal Quijano, Catherine Walsh) tem se dedicado desde meados de 1990 a nomear esses mecanismos e sugerem o termo decolonialidade para indicar como aparatos simbólicos e epistemológicos tem constituído as bases de novas formas de subjugação. Se antes as metrópoles enviavam exércitos, colonos e algumas instituições (como escolas e igrejas) para ocuparem corpos e espíritos locais,  as formas de domínio sofisticaram-se na validação de certos conhecimentos e também das formas de registrar e interpretar esses conhecimentos. Como efeito dessa “colonialidade do saber”, determinam-se espaços e povos que concentram as línguas (europeias), as instituições (museus, universidades, bibliotecas, ciências, disciplinas) e as linguagens (escrita, tecnologias) considerados “de valor”, condições para exercer a “vontade de poder”, para usar o termo de Foucault. Nas ex-colônias, resistem línguas ditas minoritárias ou em extinção; sistemas empíricos e tradicionais convivem e conflitam com os produtos e fazeres tecnológicos; o corpo, os mitos e os ritos de povos nativos seguem inspirando práticas pouco compatíveis com a tradição escritocêntrica e logocêntrica.

As poéticas orais e populares, que tem subsidiado e inspirado tantos estudos no GT de Literatura Oral e Popular e na Revista Boitatá, podem, de certo modo, ser aproximadas das produções provenientes de lugares e autorias igualmente subalternizadas pela violência epistêmica decolonial, como as dos autores da literatura periférica, das criações multimodais indígenas e das perspectivas de gênero e etnia ex-cêntricas. Nesse sentido, propomos para este Dossiê da revista estudos com foco nas teorias ou nas críticas literária e cultural, em torno de temas, autores ou obras que apresentem os trânsitos e os efeitos decorrentes da pós-colonialidade e da decolonialidade na produção, criação, recepção e circulação desses lugares e agentes de um ethos poético resistente.

 

Organizadoras:

Dra. Ana Lúcia Liberato Tettamanzy (UFRGS) 
Dra. Vera Lúcia Lúcia C. Medeiros (Unipampa)

Editoria:

Drª Ana Lúcia Liberato Tettamanzy (UFRGS)
Dr Frederico Fernandes (UEL)

Editoria Técnica:

Doutoranda Cristina Mielczarski dos Santos (UFRGS)
Doutoranda Laura Regina dos Santos Dela Valle (UFRGS)

 

- Também estará aberta uma SEÇÃO LIVRE (respeitada a especificidade da revista: discussões sobre poéticas orais e literatura popular).

Prazo de envio: 20 de outubro de 2016

 

RESUMO DAS NORMAS

  Boitatá – Revista do GT de Literatura Oral e Popular da ANPOLL aceita o envio de artigos, resenhas e entrevistas relacionados aos estudos de oralidade e culturas populares, oriundos de abordagens culturais ou multiculturais e que partam de diferentes campos de estudos, como Literatura, Antropologia, Ciências Sociais, Psicologia, História e Linguística.

   * Os artigos devem ser enviados em formato ".doc" via formulário http://revistaboitata.portaldepoeticasorais.com.br/chamada

   * Artigos e Entrevistas não devem exceder 6000 palavras (mínimo de 4000).

   * Resenhas não podem exceder 2000 palavras.

   * Todos os artigos, resenhas ou entrevistas devem ser escritos em Português, Inglês, Espanhol ou Francês.

   * Resumo e Palavras-Chave na língua do artigo e outro em Espanhol, Inglês ou Francês.

   * São necessárias as “Referências” ao final do artigo, conforme instruções em http://revistaboitata.portaldepoeticasorais.com.br/chamada 

   * Devem ser observadas:

     o ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas: www.abnt.org.br) ou

     o MLA (Modern Language Association: owl.english.purdue.edu)

   * Formatos no texto são de responsabilidade do editor.

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